Refit: Desconstruir para reconstruir

Refit Desconstruir para reconstruir-boatshopping

Com o mercado ainda pouco aquecido para novas e grandes vendas, um segmento que  vem crescendo cada vez mais é o Refit. Ele te dá a possibilidade de ter um barco completamente novo, gastando muito menos que com a compra de um novo. Além disso trazemos também outras formas de renovar e modernizar seu barco em muito menos tempo.

Refit, de acordo com a definição do Dicionário de Cambridge, “to put a ship or building back into good condition by repairing it or adding new parts”, ou seja, é o nome utilizado quando nos referimos a reformas de barcos. E independente do tamanho do barco, assim como do nível da reforma, o comprador ainda pode ter vantagens financeiras. Muitas vezes ao comprar um barco de 70 pés, por exemplo, por um preço muito bom, somado ao custo da reforma, esse barco pode ficar novo por metade do valor de um barco zero. O refit vem crescendo no mercado nacional, mais visivelmente, entre os modelos com mais de 60 pés.

Está é uma forma viável de conseguir uma embarcação maior, para acomodar melhor sua família, e deixar o barco exatamente do jeito e estilo que o comprador sempre sonhou. Do mobiliário, aos itens de decoração, e até mesmo no arranjo dos ambientes, como salão e das cabines, ou um novo fly, todos eles podem ser alterados e recriados para satisfazer ao máximo o desejo do futuro proprietário.

O Refit também é uma ótima opção para quem está insatisfeito com o barco, querendo até trocar, apesar do tamanho ser adequado ao seu uso, ele já está muito desatualizado e não atende bem suas necessidades, uma boa reforma pode ser a solução. O investimento pode ser bem menor que o da troca por um novo e poderá deixar seu barco exclusivo!

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Ferretti 81 – Antes
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Ferretti 81 – Projeto
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Ferretti 81 – Depois

No entanto, assim como em grandes reformas em casa, muitas pessoas não têm coragem de reformar seu barco. A ideia inicial de uma reforma pode parecer assustadora. Já ouvimos muitas histórias de que a grande obra pode custar muito mais que o planejado, demorar mais tempo que o esperado, em alguns casos, o barco pode ficar parado por anos. Porém, existem empresas e profissionais que tentam mudar essa primeira impressão do refit. Keity Ciccacio e Raphael Varjão, da On Arquitetura, são sócios em uma das empresas que mais cresce no cenário nacional e nos ajudaram a entender mais os processos e benefícios do refit.

A ideia do refit é personalizar, remontar e reformar. Há muitas opções, dos mais complexos até aqueles menores, que trocam apenas alguns acabamentos e renovam a decoração. Segundo a Arquiteta Keity, de acordo com as limitações da embarcação é possível desenvolver um projeto para otimizar espaço, ou fazer alterações pontuais para trazer o estilo e a personalidade do dono. “Em alguns barcos temos que repensar os ambientes para atender o cliente, em outros podemos explorar os espaços escondidos nas linhas curvas dos designs antigos e superdimensionamento do mobiliário ultrapassado, também existem casos que precisamos desenvolver projetos de rápida execução modernizando e adequando os espaços para algumas necessidades atuais, além de colocar a identidade do proprietário no projeto.”

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Keity começou a faculdade de arquitetura e sempre teve intimidade com barcos e o mar. Em um trabalho da faculdade, Keity visitou o Guarujá e conheceu tudo que envolvia a estrutura naval que o local proporcionava. “Tivemos veleiro por muitos anos na região, mas eu não sabia que tinha essa área de construção e reforma de barcos no Guarujá”. Quando descobriu, Keity conversou com Marcos Hurodovick, que fazia parte da obra que estavam visitando, ele a apresentou para o Arquiteto Naval Ovid Duncan e a Arquiteta Marta Lopes e assim Keity iniciou seu estágio na área.

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Após três anos de estágio, Keity tinha planos de estudar nos Estados Unidos, comentou com conhecidos e estes sugeriram trabalhos para a jovem arquiteta. “Um deles foi o Engenheiro José Oscar: ‘Eu estou com um cliente que está construindo um veleiro e ele quer colocar três suítes em um veleiro de 45 pés, consegue?’ Gerou aquele desafio que a gente gosta”. Após o veleiro, outros trabalhos surgiram em seguida do outro. “Quando comecei a trabalhar sozinha as obras aconteciam em consequência da anterior, por indicação do cliente ou dos executores. Também era comum fechar algum projeto quando algum proprietário de barco visitava a obra”.

Keity, sozinha, colecionava 50 projetos de refit. Com uma demanda muito forte de trabalho, a arquiteta sentiu a necessidade de passar seus conhecimentos à pessoas de sua confiança, para que pudessem lhe auxiliar. Uma amiga da faculdade, Luciana Reis Fernandes, seu tio e Engenheiro Adauri Ciccacio, seu irmão e desenhista Derik Ciccacio e sua amiga, na época estudante de arquitetura, Karen Nogueira, tiveram papéis fundamentais para atender esses clientes. A essa altura, seus trabalhos já se destacavam quando chegou uma ajuda de alguém que a arquiteta já conhecia bem. Varjão se formou com Keity em 2004, porém, diferente da colega de sala, foi para a área civil e 3D. Certa vez, ele foi chamado para fazer um desenho tridimensional do projeto de um barco. Foi aí que os dois se reencontraram e iniciaram uma nova parceria. “Na verdade foi um funcionário do Oswaldão que me mostrou e falou: tem um amigo seu que está fazendo um render (renderização é a imagem do espaço com a proposta da reforma) para o nosso escritório. E acabou nos aproximando”.

Em outra ocasião, um amigo de Varjão o convidou para fazer um projeto de barco, o arquiteto, no entanto, falou que não tinha experiência como arquiteto de barcos e sim com 3D. Nessa oportunidade, Keity foi apresentada como arquiteta para o projeto e Varjão liderou o trabalho tridimensional. “Desenvolvemos um projeto de grande porte, juntamos uma equipe completa e começamos a trabalhar juntos”.

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Este primeiro projeto não deu certo, na ocasião o vendedor passou um valor muito abaixo do real que o proprietário necessitaria para a reforma necessária. Depois desse primeiro trabalho, Varjão começou a seguir os outros projetos e obras de Keity mais de perto. O envolvimento foi tanto que o então arquiteto civil decidiu mudar de ramo. “Eu tinha uma empresa em São Paulo na área civil, em determinado momento percebi que estava desenvolvendo mais trabalhos no Guarujá do que em São Paulo. Eu moro aqui, o ambiente é mais agradável, gostoso, e realizei o sonho de continuar aqui, trabalhar aqui, no Guarujá. Eu comecei a focar mais e chegou uma hora que foi muito natural, eu deixei a minha empresa em São Paulo com meu sócio e pronto”.

Com mais projetos, surgiu a necessidade de ter um escritório. A ideia foi juntar o talento do grupo e colocá-los em uma estrutura, que ainda não existia. Foi assim que surgiu a On Arquitetura, que já completou um ano e meio.

A estrutura da On conta, atualmente, com uma equipe fixa de dois sócios arquitetos, assistente administrativo e desenhista, além da equipe de apoio que é acionada de acordo com a necessidade de cada obra, assim como diversos parceiros selecionados ao longo dos anos.

Com a presença de Varjão, o trabalho de Keity sofreu algumas alterações, agora não há uma obra que comece sem um projeto em 3D. “Muitos clientes nos contratam para fazer o projeto e a renderização do interior do barco para visualizar o potencial da reforma, 70% desses viraram obra de fato. Juntos, são mais de 70 projetos”, disse Varjão.

Diferencial da ON ARQUITETURA

Além de trabalhar com 3D, Keity e Varjão pontuam outras características que fazem a On crescer no mercado náutico. Para Keity, a segurança do cliente em tratar com uma empresa que tem experiência comprovada em diversos projetos é muito importante. “No primeiro contato com o cliente precisamos vencer as desconfianças que ele tem do mercado, para tal, podemos apresentar algumas obras ou mesmo colocar o interessado em contato com clientes que já passaram pela On Experience. Já fizemos muitas obras com tempo de execução, custo e qualidade que muitas pessoas achavam impossível e entregamos com sucesso! Temos uma estrutura forte por trás de todo o trabalho que entregamos aos clientes, qualidade do projeto, desenvolvimento do render para o cliente visualizar o que será executado, organização com uma equipe de gestão, capacidade de liderar as equipes envolvidas entre outros.

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Intermarine 76 totalmente reformada

Para Varjão, o render é fundamental no trabalho. Ele cita outras questões em que o 3D ajuda, na energia do pessoal envolvido em todo processo e nas soluções que este apresenta. “Acreditamos muito na questão da energia do pessoal, então a partir do momento que o marceneiro e toda a equipe tem contato com a imagem do 3D eles visualizam o projeto acabado. A imagem é impressa, exposta aos executores e discutida em reuniões. Desta forma, começamos a desenvolver diversos assuntos relacionados a obra antes mesmo do projeto executivo estar finalizado e iniciamos o desenvolvimento das soluções, acelerando muito o processo”.

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Outro ponto citado por Keity e Varjão foi a gestão. A On pode ou não fazer a gestão da obra (nos serviços relacionados ao projeto), segundo Varjão isso pode melhorar muito a qualidade do refit. “Na maior parte dos projetos fazemos o acompanhamento da execução dos serviços e a gestão do processo com cronogramas de atividades e de custos. Também desenvolvemos um trabalho motivacional para envolver todo pessoal, tem uma apresentação com todos: cada pintor, cada marceneiro, colocamos o nome da pessoa destacando a importância dela no processo. Então eles abraçam muito a ideia, criando um time forte”.

Como funciona um refit?

Assim como qualquer obra, o primeiro passo de um refit é o arquiteto conhecer o cliente, o programa de necessidades e o espaço do projeto. O escritório envia o orçamento ao cliente e mediante aprovação o trabalho é iniciado de acordo com o combinado. É bem produtivo quando o arquiteto e proprietário podem ir até o barco para conversar no local e avaliar os espaços, seu uso, potencial e relação entre proprietário e embarcação. “Então vamos até a embarcação e conversamos um pouco sobre os pontos positivos e negativos do barco, na verdade, se eu tivesse que apontar qual o maior diferencial realmente da On, diria que é a leitura que podemos fazer do cliente e a capacidade que temos para desenvolver um projeto que explora da melhor forma o potencial do barco.”

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Outro passo importante antes de iniciar o projeto 3D para Keity é conversar com o marinheiro. Segundo a arquiteta, vamos obter informações diferentes e complementares as passadas anteriormente pelos proprietários, já que, a visão do profissional é diferente, pois ele usa o barco de outra forma. “É muito importante principalmente em barcos maiores, a visão deles é bem importante para a qualidade do projeto”.

Após essa leitura, Keity e Varjão contam com sucesso de seus renders. Com todo o levantamento das informações necessárias, medição do espaço, estudo de matérias e texturas adequadas a situação entre outros, é a hora de fazer a proposta do render. A apresentação mostra uma imagem com a simulação do espaço após a reforma. “Em seguida, nossa ideia é traduzida para o computador e então apresentamos o render, é muito bom quando o cliente fala que é exatamente isso que tinha imaginado, mas não pensou que era possível naquele barco! Além de que, o render facilita muito o trabalho do escritório, dá um norte a todo processo e dependendo da urgência da obra, possibilita muitas atividades. A agilidade já pode aparecer na compra de materiais, e até alguns serviços da obra podem iniciar, como a desmontagem do barco e preparo das novas estruturas. Inclusive, dependendo do prazo que temos para executar a obra, fazemos uma programação para o desenvolvimento do projeto simultâneo a obra, de acordo com as necessidades dos executores”.

Após o projeto ser aprovado, Keity e Varjão também oferecem o serviço de acompanhar toda a obra. Na visão dos sócios, é importante para o bom desenvolvimento do projeto e também no auxilio as equipes. “Durante a construção/reforma, podemos encontrar alguma dificuldade que estavam ocultos anteriormente e por motivos técnicos alguns ajustes no projeto são necessários. No caso de embarcações, é interessante o setor de projeto acompanhar a desmontagem do barco para entender melhor os espaços e resolver eventuais interferências. Estamos acostumados com todas essas adversidades e sabemos administrar tudo da melhor forma”.

O barco é um espaço tão particular, que mesmo em uma reforma com escopo similar, em um mesmo modelo de barco, nos deparamos com situações diferentes que necessitam de novas soluções, o acompanhamento e o conhecimento para resolver da melhor forma e agilidade agregam muito ao resultado final. Em Alguns casos, a empresa faz a gestão da obra completa, muitas vezes, por necessidade do cliente e falta de profissional disponível no mercado. Nesse caso, o escritório desenvolve um trabalho completo de para gerenciar as equipes e os materiais, além do projeto de arquitetura.

O escritório não oferece mão-de-obra para executar os serviços, em nenhuma das formas de trabalhar. Se necessário, podemos indicar algumas empresas.

Equipes e fornecedores

A On Arquitetura aderiu uma política de não ter equipes de execução ou fornecedores fixos. “Conhecemos muito a mão de obra que existe no mercado, podemos fazer uma avaliação do tipo da obra, quais serviços serão necessários, avaliar quem que trabalha bem junto com quem, e então formar uma equipe que vai funcionar para aquele barco de acordo com a disponibilidade do momento também. Formar uma boa equipe é um desafio no nosso mercado”.

A harmonia de uma equipe é levada muito a sério. Keity lembra que o ambiente da obra se limita a um espaço muito pequeno, assim, se apenas um não colaborar, a obra pode não fluir tão bem. Além disso, o trabalho em um barco grande movimenta um grande número de pessoas. Segundo Varjão, um projeto grande, movimenta mais de 100 pessoas. “E tem uma assunto que é impressionante em uma reforma de barco! Se perguntar para qualquer um quem tem que ser o último a sair do barco (ou seja, último a finalizar seu serviço), todo mundo é o último que quer sair do barco, não é? O eletricista é o último, o tapeceiro é o último, a hidráulica é o último, o marceneiro é o último. Temos que colocar ordem na obra. Por isso dizemos que é importante eles estarem apoiando e acreditando em nosso trabalho, pois se pedimos para fazer uma atividade em determinada ordem, eles precisam confiar que é importante para evitar impacto negativo para obra”.

“Deixamos muito claro para o cliente que não temos exclusividade e nem relação financeira com outras empresas. Podemos trabalhar com a equipe de preferência do cliente. Ele fica muito a vontade em relação a isso.”, complementou Varjão.

A ideia do fornecedor segue a mesma ideia de independência. O cliente paga as despesas direto a cada fornecedor. “Nosso escritório é responsável pelo projeto e acompanhamento de obra. Cada serviço é de responsabilidade de cada empresa. E cada fornecedor será responsável pela garantia do seu produto. Fazemos a gestão dessas equipes pelo valor acordado com o proprietário”.

Segurança na reforma

O escritório deu a Keity condições para criar essa estrutura necessária para melhorar o projeto, o acompanhamento nas obras, otimizando prazos e melhorando a qualidade dos trabalhos. Para ela, essa estrutura construída pela On está mudando aos poucos o mercado de reforma de barcos no Guarujá e trazendo mais confiança e credibilidade com os clientes. Cada obra é um aprendizado e nosso objetivo e melhorar para próxima, corrigir problemas, passar pelas dificuldades com mais sabedoria, trazer novas tecnologias entre outros aspectos. “Com a estrutura criada pela On já fizemos diversos projetos de alta qualidade,  muitas obras entregues dentro do prazo, com execução de acordo com o projeto e foi assim que começamos a passar essa credibilidade”.

A criação do escritório e método de trabalho foram possíveis pela experiência de Varjão com outro mercado. Com uma visão da área civil, ele viu no mercado náutico uma demora muito grande para a execução de serviços. Para ele, era necessário que todas as camadas do processo entendessem que era sim possível seguir um planejamento e prazos. “Conseguimos colocar na cabeça deles que é possível sim! Com a gestão e organização é possível sim! E as equipes adoram estar com a gente, pois respeitamos muito o trabalho de todos eles, gostamos de valorizar todos os serviços e extrair ao máximo o potencial de cada um! Também nos preocupamos com a relação entre as equipes, o pintor conversa com o marceneiro e assim por diante, eles têm uma sinergia”.

Toda reforma é um novo desafio, todos sabem que não existe projeto que se encerra com 100% de eficiência, mas temos estudado muito e trabalhado para aumentar sempre nosso percentual, e agradecemos imensamente aos clientes que passaram pelo escritório, e pela confiança que tiveram em nosso trabalho!

Projetos futuros

Como dito anteriormente, o refit ainda é mais visto e utilizado em barcos maiores. Porém, Keity e Varjão enxergam uma boa oportunidade nos barcos menores, e esse, é o novo objetivo da On Arquitetura. “A proposta vem no sentido de conseguir atender uma faixa do mercado que não teria condições de ter uma estrutura como a On para reformar sua embarcação. Queremos mudar o mercado, desenvolvendo uma formatação diferente para nossos clientes.

A nova linha de negócios promete ter os serviços da On Arquitetura, como um trabalho de arquiteta, porém de maneira menos exclusiva que em um projeto grande. A ideia é que haja projetos semi-prontos, e o cliente escolha qual se adapta melhor ao seu estilo de vida.

Independente do tamanho do barco, orçamento do proprietário ou até mesmo prazos do fornecedor, Keity faz questão de mostrar que a ideia e desafio da empresa é levar a cultura de trabalho bom e sério para um mercado ainda não acostumado com tal organização e credibilidade. “Eu acredito que o desafio da On ainda é fazer as pessoas acreditarem que é possível fazer a reforma de uma embarcação com excelência, não só cliente, mas fornecedor e prestador de serviço também, entender que é possível fazer a obra organizada como no setor civil, atender bem o cliente, trazer confiança, entrega com qualidade, preço adequado e prazo”.

Além do trabalho com a conscientização de ter um mercado mais sério, Keity e a On Arquitetura também trabalham com causas sociais, que vão de cuidados com o meio ambiente até um projeto que resgata cachorros de rua. O envolvimento da arquiteta é tanto, que os cachorros até recebem o nome dos barcos de seus projetos.

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