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Pequenos notáveis: como a tecnologia dos radares vem melhorando com os anos

Na corrida por produtos melhores e mais eficientes uma tecnologia usada há anos na aviação está mudando radicalmente tudo o que havíamos visto nos radares marítimos. Aparentemente as antenas de radar no formato como as conhecemos não mudaram muito, elas podem ser abertas ou fechadas em casulos de plástico, mas por dentro elas estão sofrendo uma verdadeira metamorfose, e para melhor. Neste artigo vamos falar dos modelos mais econômicos, com antenas fechadas conhecidas como Radome.

As novas tecnologias atendem por vários diferentes nomes, Radares de Banda Larga, de Modulação de Frequência de Onda Contínua, Compressão de Pulso e CHIRP.  Para quem não é fanático por tecnologia e busca saber o que de fato muda com estes novos radares, podemos enumerar:

  • Houve uma grande melhora na detecção de alvos muito próximos que antes desapareciam no centro da imagem da tela de radar ou ficavam impossíveis de serem identificados.
  • As imagens ficaram mais claras e objetos menores podem agora ser vistos na tela do Radar, mesmo que estes estejam próximos a grandes objetos, eles agora podem ser visualizados como dois objetos separados. A tecnologia anterior não conseguia discriminar objetos próximos.
  • Navegar à noite ou em más condições de tempo ficou bem mais fácil e seguro
  • Os novos radares funcionam imediatamente ao ser ligados. Quem já passou por alguma situação onde ter que esperar até 3 minutos para poder conseguir usar o radar, vai ficar feliz em saber que estes dias acabaram.
  • Muito já se falou sobre o perigo das emissões de micro-ondas dos radares convencionais. Olhar de frente para um radar funcionando podia danificar a córnea. Radares modernos emitem intensidades 100 vezes menores e em alguns casos chegam a emitir menos que um telefone celular. Isto permite com que as novas antenas de radar possam ser montadas em lugares inimagináveis anos atrás.  Esta notícia é excelente para velejadores, onde a diminuição da potência emitida pelas antenas de radar trouxe considerável redução do consumo de energia e maior duração da carga das baterias.
A sensibilidade dos novos radares é tamanha que permite até avistar pássaros atacando cardumes de peixe a quase 4 Milhas de distância.
Novo Radar Banda Larga comparado com Radar convencional adentrando um canal com cerca de 25 metros de largura. Observe que nos Radares convencionais, é comum termos uma “bola” no centro da imagem que não existe com a nova tecnologia.
Diferença entre a imagem de um Radar de banda larga à esquerda e um Radar convencional à direita ao passar na frente de uma Marina dentro de um canal. Note que todas as boias da marina à boreste da embarcação aparecem com nitidez cristalina no Radar Banda Larga.

Quando esperávamos cerca de 3 minutos para poder começar a usar um radar, estávamos na verdade aquecendo uma peça chamada magnetron. Igual àquela usada em fornos Microondas.  As novas tecnologias eliminaram a Magnetron, substituindo-a por transmissores de Banda larga em estado Sólido que emitem um sinal de frequência mais estável e limpo, eliminando ecos falsos e ruído que poluíam a imagem e muitas vezes camuflavam objetos verdadeiros.  Na realidade os radares emitiam um só pulso e calculavam o tempo de retorno quando este refletia em algum objeto. Quanto melhor e mais potente era o radar, mais forte era o pulso e maior a radiação gerada e o consumo de energia. A nova tecnologia emite continuamente uma onda cuja frequência vai aumentando, com isto ela consegue estar monitorando os objetos no entorno cerca de 10 vezes mais tempo que os radares com emissão de um pulso apenas.  Essa transmissão contínua otimiza o uso de energia antes concentrada num só pulso.

Hoje praticamente todos os grandes fabricantes Raymarine, Garmin, Furuno e  Navico, proprietária das marcas Simrad, B&G e Lowrance, competem nas faixas mais econômicas de radares com tecnologia de estado sólido,  com alcances 24 até 48 Milhas. Estes radares rodam basicamente em 24 até 48 RPM , o que permite uma rápida resposta, uma vantagem quando se pilota uma embarcação rápida ou quando quer se monitorar outras embarcações de alta velocidade.

Entrada de um canal vista no radar Quantum da Raymarine. Fácil detecção da sinalização avante.

Tipos de radares

O lançamento mais recente, consegue juntar praticamente tudo de bom que já é oferecido no mercado pelas diferentes gigantes separadamente.  O novo radar Halo 24 da Simrad é o primeiro a rodar em 60 RPM, alcança até 48 Milhas e possui tecnologia Doppler para identificação de alvos e sistema anti-colisão numa antena compacta de 24 polegadas. Com alta rotação aliada ao efeito Doppler, com um software chamado de Velocity Track, o Halo permite a detecção de formações de nuvens carregadas a Km de distância. Estas formações aparecem em cores diferentes conforme pode-se ver na figura abaixo:

Nova antena Simrad Halo24 com 60RPM e Efeito Doppler. Atualização ultrarrápida, identificação de alvos com movimento relativo e formações de nuvens.
Acima, como o efeito Doppler ajuda a identificar os alvos que se aproximam ou se afastam da embarcação. Em amarelo temos um alvo em aproximação, em vermelho são alvos fixos e em azul um alvo que se afasta. Imagens obtidas com o software Velocity Track da Simrad.

Os grandes fabricantes têm se dedicado a lançar cada vez mais novidades com mais e mais tecnologia embarcada. Você não precisa ser engenheiro ou entender como estas novas tecnologias funcionam,  o avanço em relação aos radares que conhecíamos é notável. Talvez esteja na hora de voltar a olhar seu antigo radar, mas desta vez com outros olhos. Talvez seja hora de pensar em trocá-lo por um mais novo e que ofereça mais segurança para você navegar em baixa visibilidade.

Por Roberto Brener

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