O estaleiro dos Emirados Árabes Unidos Gulf Craft anunciou que o primeiro casco da série Majesty 120, um tri-deck de 37 metros, já começou os testes no mar.
O iate foi lançado no estaleiro em 18 de fevereiro, representando “uma grande conquista para o estaleiro dos Emirados Árabes”, de acordo com a Gulf Craft. Os testes no mar serão realizados nas próximas semanas, onde serão verificados o sistema elétrico, os motores e os sistemas geradores do iate.
O diretor de operações da Gulf Craft, Paul Gray, descreveu o primeiro teste no mar como “outra adição bem-sucedida aos marcos de produção do iate”.
“O superiate [construído em] GRP e fibra de carbono é realmente uma obra-prima e um exemplo perfeito de como é o futuro da construção de iates”. O estaleiro disse que ajustou a data prevista de entrega do iate para o final de abril, como resultado da interrupção causada pelo surto de coronavírus.
No entanto, acrescentou que o designer de interiores Cristiano Gatto está em quarentena nos Emirados Árabes Unidos, o que ajudará a tornar o processo “mais eficiente”.
Sobre a Majesty 120
A Majesty 120 foi apresentada pela primeira vez pelo presidente executivo Mohammed H. Alshaali no Monaco Yacht Show 2019. No entanto, sua estreia estava programada para acontecer durante o Dubai International Boat Show, que foi adiado para o final do ano.
As caractarísticas principais da Majesty incluem uma boca de 8,1 metros e um calado de 2 metros, enquanto o design exterior é caracterizado por suas linhas agressivas, extenso uso de vidro e costado baixo.
“Ideal para os mercados europeu e americano”, as acomodações “assimétricas” da Majesty 120 são para 11 convidados em cinco cabines. Enquanto isso, a área da tripulação permite uma equipe de sete pessoas. Além disso, o superiate ainda conta comuma jacuzzi no sundeck e uma garagem que pode ser convertida em beach club.
A Majesty 120 está disponível com dois layouts; um com cinco cabines e um com seis. Falando no Monaco Yacht Show, Gatto descreveu os interiores como “frescos e leves”, com materiais importantes que incluem “laca, madeiras leves e mármore”.
A Bvlgari continua apoiando a comunidade científica e médica em sua luta contra o coronavírus. Um mês depois de anunciar a doação ao Hospital Spallanzani para adquirir um novo microscópio 3D de alta definição, a Bvlgari anunciou que irá distribuir álcool em gel.
A joalheria romana decidiu fabricar junto com seu parceiro de fragrâncias, ICR (Industrie Cosmetiche Riunite, Lodi), centenas de milhares de frascos álcool gel para as mãos, a serem fornecidos prioritariamente a todas as instalações médicas através da Protezione Civile (Departamento de Proteção Civil Italiana).
“Acredito que como principal agente econômico e um símbolo para Itália, a Bvlgari tem a responsabilidade de contribuir com o esforço nacional para prevenir, combater e erradicar o Covid-19. Graças à nossa expertise em fragrâncias, foi possível desenvolver junto com o ICR um gel de limpeza de mãos com ação desinfetante, que será fabricado em nossa fábrica de Lodi que produz nossos perfumes de alta qualidade e comodidades de hotelaria. Cientes da situação difícil que enfrentamos, acreditamos que é nosso dever contribuir com nosso know-how e instalações de produção. Agradecemos ao Departamento de Proteção Civil italiano que cuidará da coleta e distribuição”, afirma Jean-Christophe Babin, CEO da Bvlgari.
O álcool gel para as mãos será distribuído em garrafas recicláveis de 75 ml por meio da Protezione Civile (Departamento de Proteção Civil da Itália), a fim de ajudar as infraestruturas mais críticas hoje em luta contra o vírus. A marca planeja fabricar centenas de milhares de garrafas nos próximos 2 meses. A previsão é que sejam doadas cerca de 200 mil unidades por mês.
“Como um instituto de pesquisa e tratamento científico, com abrangência nacional e internacional”, diz Marta Branca, Diretora Geral da Spallanzani, “trabalhar na pesquisa não significa apenas reagir à emergência, mas, acima de tudo, apoiar a esperança de encontrar tratamentos e vacinas para essa infecção e outras doenças infecciosas graves. O apoio da Bvlgari significa ter a percepção real de uma colaboração estável e duradoura”.
O estaleiro turco Numarine fechou uma parceria com o famoso estúdio de design Hot Lab para atualizar o design de interiores da sua linha de iates explorers de 32,5 metros, o 32XP.
O pacote de decoração do estúdio italiano é descrito como “caseiro, surpreendente e divertido” e apresenta uma injeção de novos materiais e uma nova paleta de cores “branco e claro”.
“O 32XP é um produto muito bem projetado. Com o novo pacote [de decoração], oferecemos apenas alguns toques extras para a decoração, para adicionar mais frescor ao estilo deste superiate”, disse Antonio Romano, cofundador e parceiro do Hot Lab.
O designer-chefe do Hot Lab, Enrico Lumini, acrescentou: “Minhas características favoritas do pacote são o espaço da cabine principal e o efeito caseiro do salão, com um uso intensivo de móveis soltos…”
O novo pacote interior está disponível para clientes, incluindo proprietários cujo iate ainda está a quatro meses da entrega.
O estúdio de design alemão Beiderbeck Designs apresentou um conceito de superiate explorer de 65 metros. Baseado no projeto do navio de pesquisa Fassmer, o conceito de cinco decks é totalmente certificado pela SOLAS, que garante a segurança do iate para navegar pelo mund, e possui um sistema de propulsão diesel-elétrico.
Suas principais características incluem “excelentes características de navegação, estabilidade e manobra”, disse o estúdio, além de um alcance de 6.000 milhas náuticas.
As acomodações a bordo estão espalhadas pelos decks. O deck do proprietário possui a cabine principal com um grande salão e banheiro, dois salões e um balcony privado. No “deck dos convidados”, existem seis cabines duplas, um salão grande o suficiente para acomodar 12 pessoas e uma área de lounge ao ar livre.
Há mais quatro cabines individuais e duas com camas de solteiro no deck principal, que também possuem academia, spa, cozinha e despensa. A acomodação da tripulação é composta por nove cabines duplas para uma equipe de 18 pessoas.
O superiate explorer de 65 metros também possui um heliporto e hangar, garagem para carros e armazenamento para três tenders. Outros detalhes incluem uma boca de 14 metros, calado de 4,2 metros e velocidade máxima de 12,8 nós.
A empresa norueguesa Evoy, especializada em motores elétricos apresentou sua mais nova criação, um motor de popa elétrico de 150 hp, que deve ser lançado ainda neste ano.
O protótipo Evoy1 foi testado e agora está pronto para a produção em série. No ano passado, o Evoy1 foi “batizado” pela primeira-ministra norueguesa Erna Solberg, estabelecendo um recorde mundial não oficial para a produção de e-boats no final do mesmo ano, com velocidades de até 55 nós.
Os sistemas de propulsão elétrica da Evoy de até 800 hp são projetados e testados para operar num dos ambientes mais difíceis do mundo – a costa norueguesa. Este ano, a Evoy se concentrou no mercado comercial com um sistema de propulsão inboard para barcos de 20 pés a 40 pés.
O novo motor de popa elétrico foi apoiado financeiramente com NOK 1.8 m, aproximadamente 880 mil reais, da Innovation Norway. O objetivo é finalizá-lo e deixá-lo pronto para o mercado no primeiro trimestre de 2021. Os motores serão inicialmente utilizados pela empresa de cruzeiros norueguesa Hurtigruten para alimentar uma flotilha de infláveis.
“Tivemos muitas consultas para fornecer motores de popa, especialmente do segmento Polar Cruise”, diz o CEO e fundador da Evoy, Leif A Stavøstrand. “A Hurtigruten foi um dos primeiros a mostrar interesse e queria ter 30 motores entregues na primavera de 2020. Gostamos de desafios, mas esse pedido foi um pouco apertado, mesmo para nós”.
O protótipo do motor de popa elétrico, que ainda não pode ser usado, estava previsto para ser lançado no Oslo International Boat Show em março. Devido ao cancelamento, a estreia mundial será em Florø ainda nesta temporada.
O protótipo é baseado em um motor de 90 hk e provavelmente será tão pontente quanto um motor a gasolina de 150 hp. Os testes que serão realizados durante o terceiro trimestre de 2020.
O estaleiro italiano OTAM divulgou detalhes de seu novo iate de 21 metros, o OTAM 70 HT, atualmente em construção no estaleiro Genovese. O iate deve estrear nos boat shows do segundo semestre de 2021.
Inspirado no mundo aeronáutico, o iate full-custom é um projeto único criado pela BG Design Firm, com linhas de engenharia e casco personalizados por Umberto Tagliavini Marine Design, juntamente com o campeão em corridas de lancha e engenheiro mecânico Gianfranco Zanoni, CEO da OTAM.
“O design é fortemente inspirado no mundo aeronáutico e nos carros esportivos de luxo”, diz o estúdio da BG Design Firm, que trabalha em colaboração com algumas das principais marcas de automóveis do mundo. “Era essencial projetar o novo 70 pés, levando em consideração as proporções e linhas que sempre distinguiram os iates OTAM”.
Os principais destaques de design do OTAM 70 HT são as entradas de ar no casco e em cada lado do solário na popa, também em frente ao para-brisas e sob a estrutura onde os radares estão posicionados. Todos esses canais canalizam ar para a sala de máquinas. As aberturas de exaustão são integradas em grades pretas brilhantes no costado de ambos os lados da plataforma de mergulho e podem ser destacados com iluminação LED.
A Sunseeker doou um total de 400 máscaras faciais e 4000 luvas para o Poole Hospital NHS Foundation Trust, um dos hospitais da rede da NHS, sistema de saúde que inspirou o SUS no Brasil.
Falando sobre a doação, o diretor de operações da Sunseeker, Michael Straughan, disse que o estaleiro estava motivado “para apoiar nossos trabalhadores da NHS, enquanto continuam seu trabalho excepcional na linha de frente contra o coronavírus”.
Estaleiro da Sunseeker
“Como tínhamos equipamentos de EPI disponíveis, achamos importante doá-los ao Hospital Poole para ajudar da maneira que pudermos”, acrescentou.
Enquanto isso, após a paralização controlada em seus estaleiros, a Princess Yachts doou seu estoque de EPI para o Conselho da Cidade de Plymouth, que o distribuirá por toda a região.
O estoque será entregue aos principais funcionários da linha de frente, desde membros da NHS até profissionais de assistência.
Falando sobre a doação, o executivo-chefe da Princess Yachts, Antony Sheriff, disse: “Esperamos que essa doação de nossos EPIs sirva de alguma maneira para ajudar a equipe da NHS e outros serviços desse tipo nesses tempos incrivelmente difíceis.
“Estamos em discussões regulares com o Conselho da cidade de Plymouth e, se pudermos encontrar outras maneiras de ajudar no esforço coletivo contra o Covid-19, faremos o que pudermos para apoiar”.
O estúdio de design de superiates ThirtyC apoiou a campanha nas redes sociais do governo britânico #stayathome (#fiqueemcasa), que pede que as pessoas fiquem em casa para conter o contágio pelo coronavírus, criando uma página para colorir de superiates.
Grátis para download no site do estúdio, a página fornece uma saída criativa para aqueles que estão isolados, especialmente filhos de pais que trabalham remotamente.
A imagem para colorir ainda apresenta alguns dos superiates mais reconhecidos do setor, além de projetos em andamento.
“Temos certeza que muitos reconhecerão os iates incluídos”, disse o diretor criativo do estúdio de design, Rob Armstrong. Ele acrescentou que “queria mostrar o maior número possível em apoio a todos os estúdios de design iates, estaleiros e indústria mais ampla de superiates”.
Falando sobre o projeto alegre, ele disse: “A criatividade é uma ótima maneira de lidar com o isolamento. Nosso estúdio se esforça para encontrar caminhos criativos e divertidos nessa indústria às vezes séria. Queríamos criar algo mais alegre e divertido nesses momentos de desafios”.
Armstrong disse que a inspiração para o projeto surgiu quando os designers da ThirtyC se prepararam para trabalhar em casa.
“Todos os membros do nosso estúdio invadiram os materiais de arte e os artigos de papelaria antes de voltarmos para casa para trabalhar”, disse Armstrong.
Ele acrescentou que espera que a página para colorir forneça “alguma educação inicial sobre o iate e também treine a verdadeira próxima geração” de designers de iates.
Super veleiro Lotus da Royal Huisman
Os projetos atualmente em andamento no ThirtyC incluem o Komodo de 53 metros e o iate da Royal Huisman, de 88 metros, Lotus. Os escritórios do estúdio continuam operando remotamente.
“A ThirtyC, desde o início, foi projetada para poder trabalhar remotamente, o que ajudou enormemente nesses tempos difíceis”, disse Armstrong. “Todos os membros da equipe estão trabalhando em casa e, com o uso da tecnologia disponível, podem continuar a fornecer nossos serviços em andamento”.
Tem um tempo livre e não sabe o que fazer? Explore seu lado criativo pintando a imagem da ThirtyC! Faça o download da página para colorir através deste link.
A Horizon vendeu o primeiro casco de sua série FD80 de “superiate de bolso” a um cliente americano. O iate de 25 metros fez sua estreia no Palm Beach International Boat Show e apresenta um layout aberto criado especificamente para o mercado americano.
Os principais recursos incluem um interior espaçoso com um layout de quatro cabines e acomodação da tripulação para uma equipe de quatro pessoas.
O interior é “destacado por um agradável contraste de luzes e sombras”, disse o estaleiro de Taiwan, com materiais que incluem o carvalho americano claro com detalhes em nogueira.
Enquanto isso, o exterior do iate apresenta grandes partes em vidro, além de uma porta de vidro dobrável no salão, que assume o “casual elegante de um retiro à beira-mar”, disse o A Horizon Yachts.
O posto de comando separado das áreas de entretenimento e relaxamento dá mais privacidade ao restante do iate. Enquanto isso, o flybridge com controle climático possui, além do posto de comando, um bar, dinette e churrasqueira.
O iate FD80 será equipado com uma parelha de motores MAN diesel de 1.200 hp, e também terá como destaque um espaços beach club e 7 metros de boca.
A Horizon disse que os novos proprietários planejam usar o iate para cruzar a costa oeste da Flórida.
Os superiates são frequentemente vistos como um dos primeiros luxos excessivos em tempos financeiros difíceis. Durante a crise do subprime, também conhecida como a crise de 2008, isso levou os preços dos iates a despencar e os estaleiros a entrarem em colapso, deixando vários inacabados. Enquanto os EUA estão experimentando o melhor momento do mercado náutico em sua história, alguns milionários em outras partes do mundo começaram a ser mais cautelosos, adotando um comportamento de compra mais defensivo.
Em 2007, para ser considerado um superiate bastava ter mais de 65 metros. Uma década depois, essa métrica aumentou para 85 metros de comprimento e quase dobrou quando considerada em termos de tonelagem bruta.
Em meados da década de 2000, a faixa de iates de 40 a 60 metros estava realmente crescendo, com os estaleiros aumentando suas encomendas todos os anos. De fato, a demanda era tão alta que os investidores chegaram a comprar novos projetos com a visão de vendê-lo antes de sua entrega, reduzindo ainda mais o tempo de entrega para o que seria o “consumidor final” e determinando preços mais altos. Mas nós vamos explicar essa prática mais pra frente.
Superiate Air da Feadship
Em 2008, essa dinâmica do mercado entrou em queda quando os pedidos de novas construções foram cancelados e o mercado de brokerage despencou, cortando os preços em mais da metade por vários anos. O mercado, em geral, se sustentou após a crise nas duas vertentes restantes, que continuam a dominar hoje, ou seja, megaiates e barcos de lazer.
Atualmente, existem mais de 50 iates com mais de 100 metros de comprimento, o dobro da quantidade que estava na água há uma década. Com um valor médio de construção de US$ 200 milhões, apenas 25 dessas construções contribuíram com mais de US$ 500 milhões por ano para a indústria de iates. Este valor reflete apenas os custos de construção e aumenta bastante ao levar em consideração as despesas de manutenção anuais. Somente as empresas de gerenciamento de iate rendem quase US$ 1 milhão por ano com essas construções antes mesmo de considerar as despesas operacionais.
A Lürssen, pioneira nessa área, continuou produzindo iates cada vez maiores ao longo da última década, mantendo uma lista de espera para novos modelos. Seguindo essa demanda, outros estaleiros começaram a competir no espaço, como Oceanco, Feadship, Nobiskrug e Benetti.
Black Pearl
Esses novos players conseguiram pegar alguns projetos de destaque nos últimos anos, como o Black Pearl de 106 metros, o maior iate à vela do mundo construído pela Oceanco para Oleg Bourlakov, ou o superiate A de 142,8 metros, o maior iate assistido por vela, construído em Nobiskrug para Andrei Melnichenko.
Outros iates também foram entregues por esse grupo de estaleiros, como o Bravo Eugenia, de 109 metros, construído pela Oceanco para o proprietário do Dallas Cowboys, Jerry Jones, ou o IJE de 108 metros, entregue pela Benetti em 2019 para o bilionário australiano James Packer.
Bravo Eugenia
Charters em alta
Com uma flotilha crescente de megaiates também aumentou a disponibilidade para charter. O maior deles, atualmente é o Flying Fox, de 136 metros, entregue pela Lürssen em 2019 e lançado no Monaco Yacht Show. Isso aumentou o número de iates com mais de 100 metros disponíveis para charter, como o Feadship de 101 metros de Bernard Arnault, Symphony, ou o TIS de 110 metros de Lürssen, que chegou a custar no último verão no hemisfério norte cerca de US$ 2,2 milhões por semana.
Por sua vez, esse novo mercado de charter de megaiates pode ter diminuído a demanda por compras em um espaço historicamente dominado pelo Oriente Médio, russos e americanos, que estavam comprando esses iates, já que essa era a única forma de acesso a esse tipo de embarcação.
Flying Fox
Atualmente há um número nunca visto de megaiates a venda, mas o que não está claro ainda é como esse número pode derrubar o mercado e a que preço. Entre os superiates que estão a venda nessa faixa de tamanho estão o TIS, de 110 metros, e que foi entregue muito tempo depois, porque seu proprietário inicial não conseguiu finalizar o pagamento; há também o Octopus de 126 metros, agora no mercado por 295 milhões de euros, depois do falecimento de Paul Allen no final de 2018.
O Amadea, um Lürssen de 106 metros entregue em 2016, também está procurando um novo proprietário. O ex-iate de Steve Wynn, o Aquarius de 92 metros, o Tranquility de 91 metros do Genting Group, o chinês Illusion Plus de 88 metros e, anunciado recentemente, o famoso Lady Moura também estão disponíveis.
TIS
Um novo cenário começa a aparecer
Em contraste com o espaço de mega embarcações dominado por uma clientela específica, barcos e iates que exigem baixas despesas operacionais anuais também dominam a participação no mercado entre os milionários, principalmente entre 20 e 30 metros de comprimento. Essa classe de iate explodiu por todo o mundo, incentivando estaleiros dar atenção a outros mercados.
Dominado por Sanlorenzo, Azimut, Ferretti, Sunseeker e Princess, esse setor difere dos superiates ao oferecer embarcações mais modernas e com prazos de entrega mais curtos. Apesar de seus tamanhos menores, os preços de novas versões dessa faixa permaneceram altos.
Azimut 27 Metri
De fato, os preços para construção de iates como a Azimut Grande 27 Metri orbitam perto de €4 milhões, dependendo das opções, enquanto um iate usado de 40 metros pode ser comprado pelo mesmo valor. As despesas anuais para os barcos de 40 metros seriam, no entanto, quase o dobro das dos de 27 metros, dando uma nova perspectiva do porquê o mercado de iates de tamanhos médios continuam lutando por um espaço desde 2008.
Essa tendência dos milionários escolherem iates menores também tem refletido nos novos designs, que começaram a incluir cabines masters maiores, áreas externas maiores, diferente do que era feito em modelos mais antigos. Outro apelo de iates menores também se tornou a capacidade de se mover de uma baía para outra mais rapidamente, com velocidades de cruzeiro quase o dobro das dos superiates e a possibilidade de ancorar mais perto da costa.
Essa nova linha de clientes com o capital para um superiate, mas que prefere a flexibilidade de uma embarcação menor, tem transformado seu uso e seus layouts. A medida que esse grupo começou a pedir pela funcionalidade encontrada em barcos, junto a espaços abertos.
Sanlorenzo SL102
Estes focam quase que totalmente em grandes praças e plataformas de popa, diminuindo a importância de uma sala de jantar e cabines grandes. Esse tipo de layout é voltado para clientes que só passam o dia a bordo e não pernoitam, e esses iates também possuem um design completamente diferente do que era visto nessa faixa anteriormente. Outras características que diferenciam essas embarcações são os espaços de armazenamento para brinquedos, que geralmente são muito grandes comparado ao tamanho do iate.
Seguindo essa tendência, os principais players viram suas ações dispararem em comparação com aos estaleiros que não acompanharam essas mudanças. A Sanlorenzo, um dos estaleiros mais ativos na faixa abaixo de 30 metros, teve capital aberto no início de dezembro com um valor de mercado de 550 milhões de euros e receita de 355 milhões de euros em 2018.
Sunseeker 131 Yacht
No lado privado, a Sunseeker foi adquirida por 320 milhões de libras em 2013 pelo conglomerado chinês Dalian Wanda. A Princess Yachts foi salva em 2008 pela gigante francesa LVMH, grupo que tem em seu portfólio marcas como Louis Vuitton, Hublot, Tiffany & CO e muitas mais, em um acordo que avaliou o estaleiro britânico em mais de €200 milhões.
O crescimento simultâneo do mercado de megaiates e dos iates na faixa de 20 a 30 metros combinado com a desaceleração de tudo que está entre essas duas categorias, levou a uma consolidação no espaço dos superiates. Isso também é consequência de estaleiros que focaram numa linha de 40 a 60 metros fecharem ou diminuírem muito seus pedidos e se recuperarem de forma muito lenta. E acima de tudo isso, os bancos internacionais ainda tem receio em financiar iates e estaleiros depois da crise de 2008, o que levou marcas como a Baglietto terem mais de €100 milhões em patrimônio líquido negativo. Por isso, hoje em dia os maiores investimentos e financiamentos nesse mercado acabam vindo de milionários que querem participar ativamente.
Wider 165
Alguns deles adquiriram estaleiros, como o Grupo Genting da Malásia, que comprou a Wider Yachts depois que seu proprietário comprou pela primeira vez um iate. Em uma escala maior, Mohammed Al Barwani, um bilionário Omã adquiriu a Oceanco em 2010, transformando-a na potência que é hoje. De fato, a maioria dos principais players desse mercado agora possui um forte poder financeiro, o que lhes permite ser menos dependentes das linhas de crédito dos bancos, seja a Princess da LVMH ou a Sunseeker da Dalian Wanda, entre outros. Isso acabou acontecendo em outros setores do mercado náutico internacional, como com empresas de brokerage.
Apesar de que todas essas tendências possam parecer incomuns ou novas para o setor quando analisadas nos últimos anos, na realidade elas já aconteceram antes e foram seguidas pelas recessões econômicas que aconteceram pelo mundo. Um dos casos que exemplificam bem isso é a falência do Rodriguez Group, que na época era conhecido principalmente pela distribuição de iates da Mangusta.
Mangusta 105 construída em 2001
Mais de cem deles foram construídos ao longo dos anos 2000, até que a demanda por eles entrou em colapso rapidamente após a crise do subprime. O mercado logo afundou também, cortando pela metade o valor de revenda ao longo de semanas. Hoje, você ainda encontra Mangustas menores por bem menos de US$ 1 milhão.
Flipping
Lembra da prática que falamos lá no início? Então, após um período de crescimento na faixa de 20 a 30 metros e megaiates, o que se aproximou ainda mais da recessão foi um curto período de uma prática chamada flipping e forte demanda por superiates de tamanho médio.
Em 2006 e 2007, a demanda por superiates foi tão forte que um iate já construído chegou a valer mais do que um novo projeto, já que não exigia um tempo de espera. Não demorou muito para que empreendedores com muito capital percebessem que eles poderiam ganhar em cima dessa pressa de ter o superiate ao encomendar um e vendê-lo enquanto ainda estava em construção para compradores impacientes.
Apoise
Outros, perceberam que esse método de flipping poderia produzir resultados ainda maiores se encomendassem vários iates ao mesmo tempo em um estaleiro para conseguir desconto de pedidos grandes. Talvez o mais notável desses projetos tenha sido o liderado pelo promotor imobiliário Warren E. Halle.
Em 2003, a empresa de Halle encomendou um superiate da Lürssen de 67 metros, agora chamado de Apoise, que ele vendeu em 2006 por 65 milhões de euros ao empresário canadense David Ritchie. No ano anterior, ele havia encomendado outros dois iates de tamanho semelhante, todos por €48 milhões. Em 2008, ele vendeu um deles, o St Nicholas por €71.500.000, mantendo o terceiro iate para si mesmo como um lucro.
Mas o que isso tem a ver com o momento atual?
Essa prática desapareceu em questão de semanas, quando o mercado mundial veio a abaixo em 2008. Hoje, no entanto, é possível ver alguns desses padrões de flipping de superiates semelhantes aos que foram vistos há uma década atrás. Como o que o milionário neozelandês Graeme Hart fez recentemente ao encomendar dois iates explorers da Kleven, que foram entregues em 2017 e 2018, ambos chamados Ulysses. O primeiro, de 107 metros, foi vendido um ano após a entrega e renomeado para Andrômeda por seu novo proprietário. O segundo foi vendido em 2019 e ainda é chamado de Ulysses. Um padrão de compra e venda que segue perfeitamente as técnicas de flipping explicada anteriormente.
Superiates Ulysses e Andromeda
Outro sinal que poderia ser considerado como de pré-recessão é a volta do interesse de milionários em voltar ao mercado com a idéia de comprar e operar um iate como um charter lucrativo, que os mercados provaram simplesmente que não funcionam com a economia atual.
O mercado de iates de 40 a 60 metros, o último a começar a crescer antes do início de uma recessão, também começou a subir recentemente, à medida que os proprietários procuram iates para reformar com o aumento da renda disponível. De fato, se alguns anos antes, era esperado que os iates dessa faixa fossem negociados entre 30 e 40% abaixo do preço pedido, essa diferença diminuiu para cerca de 25 a 30% nos últimos trimestres.
Os estaleiros conhecidos por iates de 20 a 30 metros também estão expandindo seus intervalos para 40 a 60 metros para manter os clientes que desejam subir de tamanho. Por exemplo, a Sanlorenzo, que por décadas se concentrou em iates de 20 a 30 metros, entregou no início deste ano seu mais novo flagship, o Attila de 64 metros.
Enquanto ainda não é possível afirmar que uma recessão está próxima, muitos fatores dentro do mundo dos superiates parecem apontar para o que historicamente têm sido sinais de recessão. Eles parecem combinar sinais de alerta de mercado mais amplos em meio a guerras comerciais e maior protecionismo dos principais países.
Attila
No entanto, em caso de uma nova recessão, não está claro quais serão os efeitos ou se serão semelhantes à quase destruição que ocorreu em 2008. Além disso, os principais nomes do mercado, já não dependem de fortes financiamentos bancários e demandas para manter suas operações funcionando. Hoje, esses estaleiros tem pessoas e empresas com capitais altíssimos por trás.
A frota mundial de iates agora também é maior do que nunca. No caso de uma desaceleração econômica, não está claro quem, se houver, estará disposto a comprar iates menos modernos e mais antigos para mantê-los operacionais, devido aos altos custos anuais. Isso é especialmente preocupante para os iates construídos em fibra de vidro, que não podem ser utilizados como os de aço ou alumínio.
Independentemente de uma recessão acontecer, parece, no entanto, evidente que, em sua trajetória atual, o espaço para iates caminha para uma consolidação. Caso ocorra uma recessão, esse caminho provavelmente só será acelerado com fusões e aquisições mais baratas.